segunda-feira, 26 de março de 2007

Mais ou menos




“A gente pode morar numa casa mais ou menos,

Numa rua mais ou menos,

Numa cidade mais ou menos

E até ter um governo mais ou menos.

A gente pode

Dormir numa cama mais ou menos

Comer um feijão mais ou menos,

Ter transporte mais ou menos,

E até ser obrigado a acreditar mais ou menos no futuro

A gente pode

Olhar em volta e sentir que tudo está mais ou menos.

Tudo bem,

O que a gente não pode mesmo,

Nunca,

De Jeito Nenhum

É amar mais ou menos

É sonhar mais ou menos,

É ser amigo mais ou menos,

É namorar mais ou menos,

É ter fé mais ou menos,

É acreditar mais ou menos

Senão a gente corre o risco de se tornar


Uma pessoa mais ou menos”.


(Chico Xavier)

Quem está no controle fala sobre a importância da Educação

A quantidade de temas interessantes, que poderiam direcionar minha narrativa; atormentam-me artisticamente, mas desse delírio de possibilidades que se apresentam, são nossas urgentes necessidades sociais que tomam conta do controle da situação.


É interessante falar de “tomar conta do controle” por que na verdade, às vezes tenho a sensação de que alguém que não Eu está no controle da situação. Um Eu mais espiritualizado, mais integrado; que Humano por natureza se imbui de uma força reivindicadora fundamentada na ética e na moral como pilares propulsores para a afirmação da cidadania cósmica no universo micro-cósmico da vida em sociedade em busca de uma realidade mais digna e mais justa em nosso país com desdobramentos positivos na esfera global do nosso planeta, oferecendo à humanidade caminhos criativos e dignos para a construção da Verdadeira Globalidade Social em nosso planeta, onde da essência de Ser Humano de cada um de nós, hoje dormente no íntimo de um homem contemporâneo vazio e superficial, vampirizado pela desgastante energia competitiva do capitalismo; surgirá a Verdadeira Humanidade digna das belezas e maravilhas da Vida ofertada pelo Pai/Mãe Luz Infinita que é só Sabedoria e Amor.


Essa Verdadeira Sociedade surgirá da profetizada por Sábios e Místicos - Batalha do Armagedom, que nada mais é que a luta interna em cada um de nós. O Espírito tentando vencer nossos extintos, as paixões do nosso eu inferior.


Não me atrevo a dizer que sou um canal de nada até mesmo por que não acredito ter a vida correta e necessária de abnegação e amor para merecer essa maravilhosa dádiva da Vida. Mas essa sensação que pode ser conseqüência de algo que ainda desconheço, talvez um dia seja explicada, por minha própria consciência em busca incessante no mais íntimo do meu Ser.
Um tema se destaca no meio do caos oferecendo uma luz que sinto ter um poder transformador e libertador.


Na atual conjuntura e nos níveis de desestruturação que alcançamos em nossa sociedade com cicatrizes visíveis no corpo social marcadas pela miséria, pela violência e pela corrupção dos valores éticos e morais que imprimem dignidade e justiça à vida em sociedade, a Educação surge como a Luz que vem do alto indicando o caminho que conduzirá a humanidade à efetiva manifestação de sua cidadania cósmica.


Se não conseguimos viver em sociedade no microcosmo de nossa realidade social terrestre, como poderíamos merecer a percepção das infinitas moradas da casa do pai existentes no universo, se nossa infinita ignorância em perceber a magnitude da bondade do Pai não nos permite Ser Humanos? Por quê querer carregar esse honroso e divino título de Ser Humano e atuar como vermes da condição da matéria que da forma ao corpo desse Ser que se diz humano praticando, promovendo e fomentando a idiotice na séria tarefa de exercitarmos nossa cidadania cósmica?
Qual a minha contribuição para a triste realidade que se manifesta hoje em nossa sociedade? Ou será que sou tão tolo a ponto de achar que não tenho culpa de nada? “Percebo eu” as leis básicas que regem o universo? Ou vivo eu como um verme, apenas boca, estômago e ânus que com uma diferença básica e importante do pobre verme em sua evolução individual, possui o poderoso livre arbítrio ofertado pelo pai que lhe dá a fantástica possibilidade de não ser verme? E então! Qual meu papel nesse grande teatro da vida que na verdade é a pura realidade?


O que você acha que um pensamento negativo seu promove na construção de uma tragédia? O que você acha que seu ataque de ira caprichoso e descabido promove energeticamente para o acontecimento de uma série de ataques terroristas sangrentos no mundo? O que tua omissão cotidiana frente às injustiças sociais que desfilam diante de seus olhos no dia a dia contribui para a proliferação da fome e da miséria que te aflige com a violência desenfreada à sua porta? Você acha violento um motorista fingir que não vê um idoso no ponto e passar direto e você testemunhar e não falar e nem fazer nada? Ou acha que violência é somente assalto com muitas mortes ou estupro seguido de morte por degolação?
Acredito que se estes questionamentos não te passam pela cabeça deves dedicar com afinco alguns minutos da tua preciosa existência para entender a fantástica dinâmica dessa mesma existência afim de que tu possas desfrutar com mais percepção e prazer transcendental essa mesma e magnífica existência. É por isso e para isso que você está aqui! Não adianta se rebelar contra a Bondade do Pai.


Acho que uma reflexão pessoal mais atenta é suficiente para que percebamos nossa inimaginável parcela de culpa nessa situação de caos geral, seja consciente ou inconscientemente, seja vibrando mal ou se omitindo e que, portanto cabe a todos nós encontrarmos juntos os caminhos que mudem essa situação e que revertam esse quadro de degradação da condição e da natureza humana para que redimidos frente à Bondade Infinita do Pai possamos merecer a dádiva que é viver.


Podemos com ética, respeito e cidadania, e se preciso com a força da vontade coletiva, mudar os rumos dessa história já tão cheia de loucuras e delírios da animalesca natureza humana que supostamente organizada em sociedade ora era governada, por loucos e insanos, ora por tiranos e déspotas, com raras excessões por indivíduos espiritulizados comprometidos com a fraternidade universal


Está na hora de mostrar a Natureza Divina e Espiritual do Ser Humano reconstruindo através da revisão e da busca por caminhos educacionais efetivos que reconstruam nossa sociedade sobre bases éticas e morais de elevada transcendência espiritual, onde Ser Humano será conseqüência do Verdadeiro Cidadão Cósmico ciente de sua ampla conexão com as infinitas possibilidades de expressão do Pai na vastíssima dinâmica integradora do Universo Infinito na construção de uma realidade mais digna e mais justa.

Por Diógenes Lima ou alguém que ele ainda desconhece mais às vezes sente.

sexta-feira, 23 de março de 2007

Associação dos Bem Intensionados Sociedade Anônima


A arte e o esporte como caminhos para inserção social no resgate de crianças e adolescentes em situação de risco em nosso país deveria ser prioridade em todas as políticas públicas voltadas para a sociedade civil.

Fica muito difícil pensar um futuro mais digno e mais justo em nossa sociedade negligenciando prioridades na formação educacional daqueles que certamente farão o futuro do nosso país.

Hoje, frente ao assustador descaso com a formação realmente cidadã desses jovens, vitimados por leis e mecanismos que reforçam a exclusão; surge um desafio ainda maior – o acompanhamento e a análise; visando a transparência das ações, bem como a avaliação dos resultados alcançados, de iniciativas e projetos que se justificam por desenvolverem trabalhos que a priori deveriam atender aos interesses dessa população, mas que na verdade acabam atendendo a interesses políticos e financeiros de terceiros exclusivamente.

O “Boom” das Ongs, mundialmente conhecidas como organizações da sociedade civil de interesse público, alternativas do terceiro setor para a transformação social; abriu espaço também para o famigerado oportunismo de “almas sebosas” contaminando uma idéia comprometida com valores de igualdade e fraternidade com ações mesquinhas pautadas no interesse político e na apropriação do bem comum em benefício de “alguns” poucos.

Já faz parte do passado a discussão e o debate sobre “A Farra das Ongs”, já que é bem mais fácil fingir que não está acontecendo nada do que ampliar a discussão e buscar soluções. Interesses muito escusos estão em jogo.

É mais simples e conveniente para as “almas sebosas” continuarem enganando os menos esclarecidos, ou se preferirem “os excluídos”, a partir de discursos bem intencionados na luta pela afirmação de suas cidadanias e de ações nada transparentes na administração de recursos captados para essa luta quase fictícia que muitas vezes é substituída por ações muito claras e objetivas na efetivação e na manutenção do “status quo”, a exclusão.

Sem desmerecer a lisura e o real comprometimento de algumas entidades, que fundamentando suas ações e práticas em valores morais e éticos trabalham exaustiva e heroicamente pelo interesse público; fica aqui o aceno para que voltemos a debater e analisar cuidadosamente o tema, infelizmente “démodé” para mídia impressa, falada e escrita, da “Farra das Ongs”; na tentativa de encontrar mecanismos e caminhos que nos conduzam à prática efetiva da legislação do terceiro setor. Só assim poderemos minar as ações deploráveis das “Associações dos Bem Intencionados e Cia”, verdadeiras gangs nefastas que se dizem ongs, quase sempre ocultas em nomes altamente convincentes e com objetivos grandio$o$. Quadrilhas organizadas que uzando o discurso do comprometimento com o “tudo pelo social" fazem a farra geral. Para bom entendor meias palavras bastam.

domingo, 11 de março de 2007

INFÂNCIA NA MARÉ - FINAL


E foi testemunhando a força desses lutadores que construíram grande parte da história arquitectônica da cidade maravilhosa trabalhando como obreiros na construção de prédios, pontes, estradas e monumentos; servindo aqui e ali em casas de famílias, bares e restaurantes, que cresci aprendendo a andar e correr sem medo por essas pontes e becos, descobrindo em minha adolescência outras nuances, outras facetas daquele universo rico e dinâmico que na verdade era e ainda é a síntese da nossa cultura.
Foi na esperança estampada nos olhos desses atores sociais que diariamente repetiam a mesma rotina estafante de coletivos e trens lotados indo ainda de madrugada para o trabalho e voltando pra casa exautos no entardecer quase à noitinha, que vislumbrei a possibilidade de mudança e transformação social que hoje impulsiona o meu trabalho de afirmação de nossa identidade e cidadania.
Na satisfação revelada no rosto sofrido, e tão prematuramente envelhecido pela lida, aprendi o valor do dever cumprido. Na importância do humilde sustento oferecido à família através de muita luta é fé num futuro melhor aprendi a valorizar a grandeza do trabalho, enquanto os irritantes autofalantes da Sede, como era conhecida a associação de moradores da Baixa do Sapateiro tocavam, por intermináveis horas: “Ô, Ô, Ô Brasil gente pra frente construindo essa nação, com trabalho permanente, com firmeza e coraçãoãoãoão... É um país que canta, trabalha e se agiganta, é o Brasil do nosso amorrrrrrr...” promovendo o orgulho a uma Pátria Mãe Gentil que nos negava, e infelizmente ainda nos nega, o direito à cidadania plena.

INFÂNCIA NA MARÉ - PARTE II



...Um dia seguia ao outro oferecendo um variado leque de opções numa espantosa explosão de possibilidades interativas. A felecidade era realmente continuada.
Mas ter que acompanhar minha avó ou minha mãe à casa de alguma amiga ou parenta que naquela ocasião vivia na Nova Holanda, ou ter que ir levar lavagem para os porcos no chiquerio com algum vizinho era um verdadeiro tormento.
A atmosfera era apavorante, onde pessoas, em situação ainda mais desumana e humilhante que a nossa lá no pé do morro, se equilibravam em passarelas instáveis e inseguras feitas de restos de madeira que a maré trazia e que, só Deus sabe como, eram arquitetônicamente improvisadas ligando uma palafita à outra.
O cheiro fétido que exalava da mistura composta de lixos e detritos orgânicos jogados a céu aberto pelos moradores da comunidade na maré parecia insuportável no verão. O cheiro subia da lama provocando naúseas e dores de cabeça nos menos acostumados. E se de lá do morro já era insuportável, imagina quem morava nas palafitas quase flutuantes.
Meu Deus! Se eu escorregar e cair na maré? `
Cada passo era cuidadosamente estudado, pois uma madeira em falso podia representar o inevitável mergulho naquela lama imunda que só desaperecia quando a Maré enchia no final da tarde.
Nos rostos das crianças desnutridas, quase sempre nuas ou seminuas, à porta ou à janela de seus barracos, se revelava a face apavorante da miséria e da pobreza que deforma os corpos e corrói a dignidade do ser humano; nos olhares resignados dos adultos, a sombra da indignação. E ainda assim era possível ver aqui e ali um sorriso humilde ao avistar um deconhecido que em sua sinceridade e inocência irradiava uma luz sobrehumana que não existem palvras no vocabulário do homem que possam descrever a magnitude de tal beleza.
Donas Marias, Seus Josés, Seus Pedros, Donas Joanas e tantas outras donas e donos compunham o universo adulto que nas minhas imagens de criança parecia formar uma grande família, que se saudava e se cumprimentava a cada encontro como se se conhecessem há milênios.
- Oi Dona Joana! Como vai?
- Dá lembrança pra fulano, D. Maria!
- Diz pra cicrano passar lá em casa Seu José!
- E a família de beltrano Dona Antônia, vem do norte quando?
Era na luz dessas presenças que me sentia protegido.

INFÂNCIA NA MARÉ - PARTE I



Da infância na maré me lembro pouco, ou quase nada, da indignação dos moradores frente às condições subhumanas que caracterizavam aquele cotidiano. Minha inocência infantil se envolvia com outras imagens e aspectos do cotidiano, se detia em formas, rítmos e cores que na visão quase sempre onírica do olhar infantil revelavam um espaço mágico e labiríntico formado por uma arquitetura improvisada onde becos saiam em becos, onde portas se confundiam com janelas e onde pessoas e animais conviviam harmoniosamente num ambiente praticamente rural que pra mim era a imagem do paraíso - o lugar onde nasci, cresci e criei laços afetivos, espaciais e pessoais que hojem compõem a minha história, a minha origem.
Enquanto alguns espaços da favela me fascinavam pelas possibilidades lúdicas, oferecendo formas diversificadas de interação física, onde vivências, jogos e brincadeiras infantis se articulavam com uma naturalidade e uma expontaneidade sem igual; outros me apavoravam e me atormentavam pela fragilidade estrutural e pelo perigo sempre iminente.
Pique Bandeira, Pique Esconde, Polícia Ladrão, Carniça, Bento que bento é o frade, Garrafão, Pique Tá, Pique Cola, Bola de Gude, Pião, Chicotinho Queimado, Amarelinha e tantas outras brincadeiras do universo infanto-juvenil que recordo com saudades; tudo acontecia em uma harmonia sem igual, que só a mente infatil livre de condicionamentos e preconceitos era capaz de perceber...

Da minha ascendência só tenho o que me orgulhar!

Da Mãe África herdei o fabuloso gene dominate da raça negra e consequentemente as maravilhosas consequências disso. Vigor, sensualidade e força! Só lamento se esse não é seu caso. Dentre tantas outras heranças maravilhosas.

Falar sobre a fantástica contribuição da raça negra para a formação do povo brasileiro é como falar da importância da presença do feijão na feijoada!

Para quem tem sensibilidade e "nadicadenada" de preconceito racial, essa contribuição é gritante; agora para os intolerantes e ignorantes de plantão, resta o consolo da negação do óbvio.