...Um dia seguia ao outro oferecendo um variado leque de opções numa espantosa explosão de possibilidades interativas. A felecidade era realmente continuada.
Mas ter que acompanhar minha avó ou minha mãe à casa de alguma amiga ou parenta que naquela ocasião vivia na Nova Holanda, ou ter que ir levar lavagem para os porcos no chiquerio com algum vizinho era um verdadeiro tormento.
A atmosfera era apavorante, onde pessoas, em situação ainda mais desumana e humilhante que a nossa lá no pé do morro, se equilibravam em passarelas instáveis e inseguras feitas de restos de madeira que a maré trazia e que, só Deus sabe como, eram arquitetônicamente improvisadas ligando uma palafita à outra.
O cheiro fétido que exalava da mistura composta de lixos e detritos orgânicos jogados a céu aberto pelos moradores da comunidade na maré parecia insuportável no verão. O cheiro subia da lama provocando naúseas e dores de cabeça nos menos acostumados. E se de lá do morro já era insuportável, imagina quem morava nas palafitas quase flutuantes.
Meu Deus! Se eu escorregar e cair na maré? `
Cada passo era cuidadosamente estudado, pois uma madeira em falso podia representar o inevitável mergulho naquela lama imunda que só desaperecia quando a Maré enchia no final da tarde.
Nos rostos das crianças desnutridas, quase sempre nuas ou seminuas, à porta ou à janela de seus barracos, se revelava a face apavorante da miséria e da pobreza que deforma os corpos e corrói a dignidade do ser humano; nos olhares resignados dos adultos, a sombra da indignação. E ainda assim era possível ver aqui e ali um sorriso humilde ao avistar um deconhecido que em sua sinceridade e inocência irradiava uma luz sobrehumana que não existem palvras no vocabulário do homem que possam descrever a magnitude de tal beleza.
Donas Marias, Seus Josés, Seus Pedros, Donas Joanas e tantas outras donas e donos compunham o universo adulto que nas minhas imagens de criança parecia formar uma grande família, que se saudava e se cumprimentava a cada encontro como se se conhecessem há milênios.
- Oi Dona Joana! Como vai?
- Dá lembrança pra fulano, D. Maria!
- Diz pra cicrano passar lá em casa Seu José!
- E a família de beltrano Dona Antônia, vem do norte quando?
Era na luz dessas presenças que me sentia protegido.
Mas ter que acompanhar minha avó ou minha mãe à casa de alguma amiga ou parenta que naquela ocasião vivia na Nova Holanda, ou ter que ir levar lavagem para os porcos no chiquerio com algum vizinho era um verdadeiro tormento.
A atmosfera era apavorante, onde pessoas, em situação ainda mais desumana e humilhante que a nossa lá no pé do morro, se equilibravam em passarelas instáveis e inseguras feitas de restos de madeira que a maré trazia e que, só Deus sabe como, eram arquitetônicamente improvisadas ligando uma palafita à outra.
O cheiro fétido que exalava da mistura composta de lixos e detritos orgânicos jogados a céu aberto pelos moradores da comunidade na maré parecia insuportável no verão. O cheiro subia da lama provocando naúseas e dores de cabeça nos menos acostumados. E se de lá do morro já era insuportável, imagina quem morava nas palafitas quase flutuantes.
Meu Deus! Se eu escorregar e cair na maré? `
Cada passo era cuidadosamente estudado, pois uma madeira em falso podia representar o inevitável mergulho naquela lama imunda que só desaperecia quando a Maré enchia no final da tarde.

Nos rostos das crianças desnutridas, quase sempre nuas ou seminuas, à porta ou à janela de seus barracos, se revelava a face apavorante da miséria e da pobreza que deforma os corpos e corrói a dignidade do ser humano; nos olhares resignados dos adultos, a sombra da indignação. E ainda assim era possível ver aqui e ali um sorriso humilde ao avistar um deconhecido que em sua sinceridade e inocência irradiava uma luz sobrehumana que não existem palvras no vocabulário do homem que possam descrever a magnitude de tal beleza.
Donas Marias, Seus Josés, Seus Pedros, Donas Joanas e tantas outras donas e donos compunham o universo adulto que nas minhas imagens de criança parecia formar uma grande família, que se saudava e se cumprimentava a cada encontro como se se conhecessem há milênios.
- Oi Dona Joana! Como vai?
- Dá lembrança pra fulano, D. Maria!
- Diz pra cicrano passar lá em casa Seu José!
- E a família de beltrano Dona Antônia, vem do norte quando?
Era na luz dessas presenças que me sentia protegido.

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